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Bruno Mendes
Poetry
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    As bases clássicas do romance

    Acabamos como começamos, sem subterfúgios; talvez por termos sido tão redondos, dados a um processo constante de desmantelamento de barreiras e artefactos da linguagem.

    Escudar-se (café e paixão)

    Tu moves-te com um planeamento fino, e eu, eu movo-me a café e paixão; se me acusares do contrário, que perdi a noção das coisas com o tempo.

    O fim do mundo

    O mundo acabou. Os velhos tropeçaram nas pedras, no mesmo longo e sôfrego fôlego, e morreram no local onde nasceram.

    Os velhos

    Estou a chegar a uma idade em que especo demasiado tempo junto aos miúdos. É uma idade que não se caracteriza pelos anos que passaram.

    Chamada dupla

    Podemos, devemos estabelecer prioridades, mas sempre com a consciência de que podem rebelar-se contra nós.

    Uma ferida transversal / Insinuação de memorabilidade (026)

    Quando estamos atrasados, a nossa relação com o bom-senso sai prejudicada. Isto é claro, e a juntar a níveis irresponsáveis de autoconfiança.

    Jardim Botânico

    Sou jardineiro no Jardim Botânico do Porto há mais de dezassete anos. Antes, percorri o mundo na senda da imagem do jardim perfeito.

    A máquina do sonho

    Num futuro não demasiado utópico, em que ousamos transcrever os sonhos sem recorrer a dispositivos infiéis como a linguagem.

    Pretensões de mudança

    Recentemente, disse, tive para comigo que no ano que é já possível visualizar em agendas a mais de mês e meio deixarei de asseverar a manutenção de uma série de pressupostos de vida em que depositei esperanças ao longo dos tempos.

    Cogitações terrenas

    Tu és a lógica e a sobriedade — ou o raciocínio e a serenidade —, e enquanto duo antagónico, és incompatível com a vida, ausentaste-te do planeta.