Sou jardineiro no Jardim Botânico do Porto há mais de dezassete anos. Antes, percorri o mundo na senda da imagem do jardim perfeito.
Num futuro não demasiado utópico, em que ousamos transcrever os sonhos sem recorrer a dispositivos infiéis como a linguagem.
Recentemente, disse, tive para comigo que no ano que é já possível visualizar em agendas a mais de mês e meio deixarei de asseverar a manutenção de uma série de pressupostos de vida em que depositei esperanças ao longo dos tempos.
Tu és a lógica e a sobriedade — ou o raciocínio e a serenidade —, e enquanto duo antagónico, és incompatível com a vida, ausentaste-te do planeta.
Chefe! Porque me contacta dessa forma intrusiva? Sabe que estou ocupado, e quando não estou, estou a planear estar, ora porque me encontro perturbado e não posso suportar esse estado por demasiado tempo.
sentimo-nos assim, desta exata forma / febris, acamados, ficando a observar / céu-relâmpago, tempestade no mar.
Se — ou quando eu — noto o meu corpo a vibrar, atento por reflexo no número de vezes em que acontece e no espaçamento entre estas para apurar como hei de me sentir.
Não vinha dormindo decentemente, mas não era isto novidade; não fruía das coisas seu perfume, mas também isto era corrente.
É extraordinário diferente louvável, interminável a forma como com as mesmas mãos com que tocaste na muralha do mundo e a derrubaste.
a quem cria tempo / sem o receber de volta / a quem é doce, gentil / sem obter resposta.