Num futuro não demasiado utópico, em que ousamos transcrever os sonhos sem recorrer a dispositivos infiéis como a linguagem, e os podemos partilhar de forma célere e cifrada, abusaste desse direito enquanto dormíamos; eu estava sonhando com tópicos difíceis, que evito debater comigo mesmo, ser-te-ia fácil pressupor isso, se te dignasses a notar o tique nervoso nas minhas pernas, extensão média das minhas preocupações. Isto abalou-me, disse-to claramente, tendo interrompido o sono, mas depressa me tranquilizaste; beijaste-me ao de leve e dormimos melhor do que antes. No dia seguinte, quando esperava que trouxesses este assunto, sugeriste caminharmos a beira-mar, e assim procedemos, caminhamos toda a manhã e pela tarde fizemos o percurso inverso.