Quando um avião se despenhou no edifício principal da faculdade, anulando imediatamente a vida de centenas de pessoas vivendo o seu dia mais normal, eu e o meu amigo encontrávamo-nos a poucos metros de distância, dialogando sobre nada em particular, está visto, apenas para visualizar aquela que ficou como a maior calamidade do século, qual onze de setembro, oito de novembro, razia dos mais jovens e das suas camadas de suporte.
Nas padarias, charcutarias, nos cafés e nas casas de dança, evitava-se tocar no assunto dos entes queridos perdidos, das esperanças enfiadas debaixo do tapete, da linearidade, sete mil dias iguais até à morte, impingida pela falha dos dois motores do boeing. É o que acontece quando se fica sem ninguém. Eu e o meu amigo jurávamos que havíamos perdido um casal amigo, no momento em que este nos surge na rua, Então, há quanto tempo, Pensávamos que estavam mortos, Não estamos, nós usamos tinta repelente de desastre aéreo, não morremos, Deixem-se de brincadeiras, Tens razão, o que se passou foi que estávamos mesmo atrás de vocês, não estávamos dentro do edifício à altura do desastre, Não vos vi, Pois.