Visões de primavera

Tendo em vista a otimização do discurso à concisão, recorrendo a uma métrica vagamente relacionada como a extensão sintática, poderia dizer que te amo tanto quanto odeio, o que, além de ser obsceno e suscitar repúdio imediato por aqueles que valorizam a gentileza de explicar devidamente os sentimentos e não ferir o próximo, é um ataque à verdade.

caí de um vulcão aquando de um rinoceronte e alcançamos sãos o piso arenoso

Quando te acercas com esse teu jeito holístico de me fazer sorrir, constituis mais do que alguma vez imaginei poder abarcar — aí te amo —, até que me deparo com a estrutura falha que descobriste em mim — aí te odeio.

só te amarro porquanto quero libertar-me de mim

Brotam em ti flores quando serves um café quente com leite numa manhã de sábado ventosa em que invariavelmente teria habitado no mais profundo silêncio caso me não houvesses tocado à campainha.

rio, como um louco, e arrepio-me, visualizando uma primavera contigo