Tão evidente como nos darmos assim, natural e detalhadamente, epistolarmente, com tudo de bom ou de mau que isto possa trazer sob várias interpretações, é que eu te amo — está dito, não se pode nem se ouse pensar em voltar atrás —, tu providencias e és sentido, sonhei tanto contigo, mas nunca como a minha cidade; eu poderia amar outra cidade, contigo, se me desses uma mão bastar-me-ia a outra para trabalhar, mas não me peças para amar várias, para dividir a minha atenção pelo ano adentro fugindo do calor no verão e do frio no inverno, trata-se de uma pancada na lógica, ou, o que me perturba verdadeiramente, um não querer estar em lado nenhum estando em todos. Eu sofro com as minhas contradições, e não tenho espaço para quatro espelhos que as pintem a várias luminosidades. Por favor, compreende isto. Não creio que a vida fizesse sentido sem inverno. A neve é rara e deslumbra-me.