Matemática Policial

Sabia que tinhas dificuldade, mas desconhecia que a situação era tão grave, Eu tinha-te dito que estava atrasado, confirmei, A questão é que não sabendo como aplicar a propriedade distributiva do sinal de menos, não sabes fazer absolutamente nada, Passei estes anos sem necessitar de me esforçar, até aqui, não se trata isto de um desmazelo premeditado, defendi-me, Esqueces-te, certamente, da vida extraordinária de sacrifício dos polícias pelo bem-estar comunitário, da memorabília fascinante instalada em suas almas, milagres possibilitados apenas pela ciência subjacente à atividade, a matemática da rotação do corpo apontado às aldeias de criminosos, a flecha cirúrgica disparada para a caixa de eletricidade mais central ao crime, que destruiu, vezes sem conta, lares de gangues organizados, Sem te querer estancar o raciocínio, sabe que hoje os bandidos habitam dispersos nos mais variados concelhos, Deixa-te, por favor, de desculpas, de trazer exceções e curiosidades para justificar a tua postura de inação e desrespeito enquanto aluno de Matemática Policial, a professora está já em lágrimas com esta conversa, tinha de ti grandes expectativas.

No final da aula, arrumei os cadernos de qualquer jeito na mochila e, ao invés de regressar a casa, corri sem destino pela floresta adentro, em busca de humanidade. À entrada do grande portal da humanidade, estava um sapo, A sua identificação, por favor, foi seu pedido, Não tenho, senhor sapo, mas como vê, sou humano, Disso não tenho tanta certeza, repare nisto, os seus olhos veem-me como um sapo, mas eu sou um veado. Assim, para provar bem o seu ponto, ele transformou-se em veado, seguiu para os prados verdejantes, não estivéssemos nós em Nara. Eu, destroçado, ajoelhei-me olhando a floresta, densa, os bandidos do mundo tendo isto organizaram um encontro para festejar, uma carta escrita em romaji seguiu em correio expresso do Japão até à Costa Rica, eles se encontraram, comeram, beberam, riram muito e desfrutaram da tarde.