Festa de arromba em palacete

Há uma rapariga com quem venho falando que assentou para os lados da Boavista, onde possui uma extraordinária mansão, palacete multi-piso e camada, com vista para o mar, rio e os demais tipos de água. Por aquela me ter em boa consideração, vejo-me no seu espaço numa festa de arromba, beirando homens musculados boiando em insufláveis unicórnio, servido por barmen competentíssimos e que claramente prezam muito o que fazem, estirado em espreguiçadeiras de cabedal resistente à água e que já tinha certificação IP69 aquando da sua existência no corpo do desafortunado originário animal. O decorrer do dia trouxe-me não só o prazer continuado nestes infindáveis corredores como a tragédia de ser vítima de um sistema autocrático que precipitou dos silêncios, onde não havia água nem gin nem duas pessoas para confraternizar e estancar o ímpeto das sombras. De um canto, um homem só iniciou uma revolução, trouxe os seus companheiros guardas, fez de nós presos de copo na mão.

Observo os guardas, armados, do meu quarto privado. Em desespero, informo a polícia, que é célere, estaciona junto ao floreado portão, sai dos seus veículos e sorri perante a nova comunidade, em que me incluo, junto ao hall, acenando-lhes.