Carro abandonado

No rescaldo do meu despedimento, recorri ao meu carro e exigi dele tanto, o que sempre quis e mais outros requisitos, a ser útil, composto e fiável, acrescentei corresponder às intenções extemporâneas do meu pé direito, a todo o momento, até que o vento deixasse de soprar, que seria nunca, se não parasse, pescadinha de rabo na boca que eu mesmo criei porque me haviam sugado o destino. Não temia a morte, episódio rumado a lado nenhum, o lado nenhum é calmo e solucionado, temia que até lá fizesse nenhum, me impedissem de acrescentar, me conformasse com o espaço vazio das entrelinhas, o obscurantismo do inábil, o monstro-rotina. Então, acelerei, acelerei mais, levei as rotações às seis mil e disseste-me seis mil vezes para parar um pouco; quando finalmente ouvi abandonei o carro de qualquer jeito na berma, mirei os prados circundantes e achei ali que tinha tudo.