Ácaros-aveludados

Na bela tarde de domingo que foi esta última, debrucei-me um pouco sobre os alicerces de granito que intersetam com a minha varanda, assoleada, e reparei numa série de acáros-aveludados caminhando sobre a minha manga. Naturalmente, não detinha este conhecimento, obtive-o delegando uma tarefa de inferência sobre uma imagem cujo resultado deu acáro-aveludado. A senhora simpática artificial pôde ainda adiantar que estes senhores não têm interesse em nós, são benéficos para o jardim e o ecossistema; não esperava ela que meia dúzia deles, pujantes, voassem com asas novas até aos meus olhos, momento a partir do qual comecei a ver com uma textura de ácaro, camada avermelhada de proteção ao mundo.

Não foi isto, porém, um problema relevante. Tomei um fármaco que os afugentou do meu corpo, precipitaram-se para o solo e ali formaram uma legião, despediram-se marchando organizados rumo a outras varandas.