Para evitar chegarmos atrasados, acompanhem-me. Assim o fizemos, até uma linha secreta, escondida atrás do arvoredo, no topo da montanha, em que passava um comboio que nos levava até à escola. Sem maquinista, parava em todas as estações, suavemente. A escola era a sua última paragem, e porque ali findava a linha, e se seguia um despenhadeiro, o meu amigo ordenou, Quando começarmos a abrandar para a escola, saltamos todos para fora do comboio e agarramo-nos ao parapeito da janela. Não nos faltará destreza para com a força de braços levarmos os nossos corpos para dentro das salas a partir das janelas, enquanto o comboio se despenha, montanha abaixo, incapaz de parar.
Um momento, surgiu-me uma curiosidade, Se o comboio sabe parar nas estações, porque não para no final da linha e se destrói, Ninguém o sabe, E como há sempre um comboio a passar, se todos se destroem no final, Não sabemos, sei apenas que chego a tempo à escola, fazia-o no ciclo, faço-o agora no liceu. Íamos conversando em paz pela noite nas espreguiçadeiras quando flashes de giroflex se projetaram no céu, era a polícia, consternada com a nossa descoberta, o comboio secreto era uma força da natureza mística conhecida, ninguém tem o direito de interferir com a ordem natural das coisas como nós experimentamos. Algemaram-nos. No carro, porém, ninguém olhava e o chefe teria ido fumar, uma agente interpela-me, Sabes quão fascinada fiquei quando soube deste caso, Não sei, Eu sempre sonhei com experimentar esse comboio, beijamo-nos e daí seguimos os dois para a linha, para desfrutarmos de uma viagem juntos.