No paraíso, lugar com salas múltiplas cada uma representando a concretização de possibilidades, razão pela qual é tão largo, mítico e inatingível, surgirá — rezo por isto, despido da minha arrogância ateia — oportunidade para nos endereçarmos a todos os nossos, mortos ou vivos, dizermos-lhes de bom grado, felicidades por mais um ano de vida, que fazes ou fizeste a minha vivência tão especial, ainda que não sejas real, mereces ouvi-lo, desculpa, obrigado, és extraordinário, sou tanto e tanto mais contigo, estás perdoado, tenho saudades tuas. E é extraordinário felicitar alguém antes do tempo, uns dias antes, uns dias depois, ali por volta de março só porque sim e rebenta a primavera. A maior tragédia é estarmos calados. Falemos. Falemos mais! Falemos a toda a hora em todo o lugar, descontinuando os filtros e os receios, como se fosse a primeira e última vez em que o podemos, tendo, com enorme probabilidade, que não estaremos jamais mais próximos do paraíso do que agora.
Porque vamos sempre a tempo: um dia bom para ti e um beijo do tamanho da terra. Que o sol te sorria hoje mais do que ontem.